Do Desastre ao Triunfo

cinemusipolisofia. cinema e pensamento são coisas indissociáveis.

Domingo, Dezembro 25, 2011

TOP 100 - Melhores músicas de 2011 (#100 - #91)








Para quem gosta de fazer listas a dificuldade maior é colocar os itens numa ordem de preferência. Quando essa lista tem de 50 nomes em diante essa atividade se torna ainda mais difícil. Por isso, antes de começar essa jornada listando as 100 melhores músicas que passaram (e ficaram!) por meus ouvidos é necessário afirmar que a ordenação dessa lista é meramente uma tentativa e tem permanência apenas momentânea. Lidar quantitativamente com algo preciso como arte nunca deve ser algo levado a sério. Isso aqui é apenas uma brincadeira, um pequeno registro de músicas que marcaram minha vida nesse ano que está indo.



Após esse vergonhoso pedido de desculpas, vamos citar primeiro as últimas músicas cortadas, que quase chegaram na lista final:



Jay-Z & Kanye West: “Niggas in Paris”; Romulo Fróes: "Filho de Deus"; Peter Evans Quintet: "Articulation"; Andy Stott: "Execution"; Tom Waits: "Chicago"; Raphael Saadiq: "Good man"; Thurston Moore: "Illuminine"; Panda Bear: "Surfer's hymn" e "You can count on me"; CSS: "Hits me like a rock"; Gal Costa: "Miami maculelê" e "O menino"; Beth Carvalho: "Se vira"; St. Vincent: "Neutered fruit"; Björk: "Crystalline"; Mastodon: "Stargasm"; Beyoncé: "Love on top" e "Countdown"; BaianaSystem: "Jah Jah revolta"; Michel Teló: "Ai se eu te pego"; Thiaguinho e Elza Soares: "Mulata assanhada"; Gaiola das Popozudas: "Traz a bebida que pisca"; A Banda Mais Bonita da Universidade: "Construção" (paródia de "Oração"); Noel Gallagher: "The death of you and me"; Spoek Mathambo: "Put some red on it" (Shabazz Palaces remix); Arlindo Cruz: "O bem"; Junio Barreto: "Setembro"; Guillemots: "The basket"; Lee "Scratch" Perry: "E.T."; Sepalcure: "Pencil pimp"; David Lynch: "She rise up"; Mogwai: "Rano Pano"; Calypso: "Entre tapas e beijos"; Rogério Skylab: "Quem responde é o diabo"; Jamie Woon: "Night air"; Paula Fernandes: "Pra você"; Fetixe "Me bate me xinga"; Mc Luan e Pocahontas: "Casa das primas vs. Casa dos machos"; e Mc Saed: "Que isso novinha". 

Segue a primeira parte da lista:



100. Mallu Magalhães: "Velha e louca"


Só três anos se passaram desde a participação vergonhosa da jovem Mallu no Altas Horas. De lá para cá e um namoro com Marcelo Camelo, que deve ter dado rumo naquela garota meio perdida, Mallu diversificou suas referências musicais e não mais podendo ser considerada uma menina precoce, mostra certa picardia de mulher adulta, mas sem perder o romantismo que para os implicantes será sempre bobo e infantil. “Pode falar, não me importa, o que eu tenho de torta eu tenho de feliz”.



99. Metá Metá: "Umbigada"



Revitalizando os sons afro-brasileiros, o trio formado por Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França não precisa de percussão para homenagear o começo de nossa cultura popular: o semba criado pelos escravos. A conversa entre a flauta transversal e o violão de arranjo intrincado já faz maravilhosamente bem seu trabalho. "Vira verde gaio sarapico malhão caninha verde bailarico bambelô coco lundu zambê semba".  



98. Marjorie Estiano: "Perigosa" 



O programa Som Brasil traz reinterpretações de músicas muitas vezes mais curiosas do que realmente substanciais. Associando esses dois elementos, me surpreendi com a versão desse hit dos anos 80 pela até então sem sal Marjorie Estiano. Além da interpretação vigorosa e sedutora, a versão ganhou um ótimo arranjo que substitui os datados sintetizadores de disco-music por uma cadência jazzy e cabaret. “Eu tenho um demônio guardado no peito, eu tenho uma faca no brilho dos olhos”.



97. Pélico: "Tenha fé, meu bem" 



Combinando o larálá da jovem guarda com o indie ensolarado dos Los Hermanos, a música contagia quem embarca na ingenuidade "paz e amor". Tulipa Ruiz já rasgou elogios e isso faz todo sentido. “Tristes daqueles que não sabem mais contemplar e juram que podem julgar”.



96. Tom Waits: "Bad as me" 


Chega de humanidade e bons sentimentos! A petulância e sujeira do Charles Bukowski da música nos deixa orgulhosos de estarmos sendo comparados a tal dejeto humano. “You're the letter from jesus on the bathroom wall”



95. Mag e Mc Smith: "Aqui o bagulho é doido" 



Entre as menções honrosas estão alguns funks que me divertiram principalmente por seus despudores ao lidar com o sexo. O moralismo e ditadura do bom gosto talvez não virem o nariz para esse exemplo de funk de temática social, do nível de um “Rap da felicidade” de Cidinho e Doca. Menos otimista, agora o discurso é ainda mais urgente, potente e áspero. “Aqui não tem hospital, ninguém traz remédio, mas traz parafal, traz fuzil, granada, as rajada de UZI e o traçante aqui é normal”.



94. FAROFF e Xandelay: "System of Dilma"



Mas é claro que os discursos incisivos da nossa presidenta são dignos de um rock pesado. Só faltava a mão genial de alguém expert em audiotune fazer o serviço. O resultado além de uma piada muito engraçada é uma homenagem a um governo que, na minha opinião, está fazendo mesmo história no país. “Projeto que tirou o Brasil, se Deus quiser, da situação subalterna, se Deus quiser, diante do Fundo Monetário, se Deus quiser”.



93. Filipe Catto: "Adoração"

O agudo afinado de Filipe Catto já é o suficiente para colocá-lo entre os melhores intérpretes da nova geração da música brasileira. Essa música é uma das que melhor capta sua extensão vocal no belo disco que lançou esse ano. “Pele que é pele não mente, não esconde, não dissimularia”.



92. Anne-James Chaton: "Événement nº 20"



Eu sei que isso nem pode ser considerado música, em suas definições clássicas e já deveras caducas. Esquisitice descoberta pelo maior revelador de bizarrices musicais, o blog camarilha dos quatro, é somente a sobreposição de vozes em francês em um experimentalismo de fazer gente como Björk morrer de inveja... ou tédio, confesso.



91. Peaking Lights: “Tiger eyes (Laid back)” 


Difícil resistir a esse encontro do dub com o rock psicodélico de guitarras dignas de um Sonic Youth ou Jesus and Mary Chain que se reitera ao infinito como um mantra. “It's another day In this world I have to stay”

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2 Comentários:

Anonymous Bruno (UERJ) disse...

Interessante seu Blog Rudá, fico feliz em saber que pessoas como você disponibilizam na internet coisas tão importantes!

Parabéns!

5:41 PM  
Blogger Rudá Lemos disse...

Valeu Brunão!

11:49 AM  

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